domingo, 22 de março de 2026

Solitude

Sentada, sozinha, em um dos vários restaurantes localizados na praça perto de casa, me pego observando as outras mesas: Casais jovens e grisalhos, duas amigas conversando animadas, um jovem novo com camisa do Galo, um senhor tomando uma pinga com uma porçao de carne, um homem de meia idade mexendo no celular, um grupo de rapazes de shorts e chinelos e mais uma boa variedade de espécimes humanas. Os garçons rodam de um lado pro outro trazendo as bebidas e o caixa, que parece ser o dono, sorri satisfeito com o movimento.
Daqui onde estou eu também posso ver a praça e as crianças que brincam lá, bem como um cãozinho minúsculo que late esganiçado correndo atrás de uma bolinha que seu dono atira. 
Enquanto tudo isso acontece eu me dou conta do quanto eu me habituei a sentar sozinha em restaurantes, bares, sorveterias ou onde que for. Inclusive, gosto bastante da dinâmica de estar sozinha. Meu tempo, minha companhia, minha comida, minhas escolhas.
Geralmente não me apercebo do que está ao redor. Entro, dou uma boa olhada no ambiente, sento, escolho, faço o pedido e aguardo pacientemente. Na bolsa há sempre um livro que tenho por hábito ler enquanto espero chegar o pedido e muitas  vezes também enquanto como. 
Hoje olhando as outras mesas, uma indescritível sensação de conforto e plenitude me invadiu e percebi imediatamente como estar completo tem a ver com a gente e não com o outro ou qualquer outra coisa. Estar pleno é algo tão diferente do que já pensei que fosse! É ser inteiramente, é estar integralmente ali, no momento. É saber-se suficiente. 
Levanto, pago a conta e saio. O almoço estava bom! Voltarei outras vezes. 
Caminho a pé até em casa. Este é mais um dia lindo, como vários outros que tenho vivido! Que bom! Que venham mais! 

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